Paul Hindemith | Herbert Howells

Paul Hindemith – Trauermusik para Viola e Orquestra de Cordas

Herbert Howells – Elegy para Viola e Orquestra de Cordas

Notas ao programa

A elegia como forma tem as suas origens na poesia lírica grega, sendo uma expressão de lamentação e luto. A partir do Séc. XVIII, é definida tanto como um poema ou como uma obra musical que lida com o assunto de dor ou de perda. Ao contrário das elegias poéticas antigas, que eram escritas obedecendo a uma métrica rigorosa conhecida como elegias duplas, as elegias dos últimos séculos podem ser em qualquer métrica, tanto na poesia como na música. É o assunto e o conteúdo que definem o género. A viola possui no seu repertório um conjunto prolífico de obras entituladas como elegias, ou obras como o Trauermusik de Hindemith que funcionam como uma elegia. Tem sido especulado que isto se poderá dever ao timbre e registo escuros e líricos do instrumento que se prestam a estes assuntos profundos e densos.

As duas obras elegíacas apresentadas por Helen Callus foram compostas em honra de dois conterrâneos ingleses já falecidos. Herbert Howells, diplomado pelo Royal College of Music, escreveu uma Suite para Orquestra em 1917 que não foi publicada. Decidiu rever o andamento central e transformá-lo na Elegia para Viola, Quarteto e Orquestra de Cordas, tendo sido rapidamente publicada e estreada. A Elegia foi dedicada à memória do seu amigo violetista Francis Purcell Warren, assassinado em Mons em 1917. A influência de Vaughan Williams pode ser reconhecida na sua escrita – especialmente os timbres e as texturas das Variações sobre um Tema de Thomas Tallis e do Quinteto Phantasy.

Noa anos 20, Paul Hindemith afirmou-se como a figura principal avant-garde alemã, e foi associado ao conceito de Gebrauchsmusik – normalmente traduzido como “música para utilizar”. Tratava-se de uma abordagem concebida para compor novas peças para objectivos utilitários e ocasiões reais. Isto também implicava uma falta de pretensão com o processo composicional – não um génio torturado preocupado com todas as notas em isolado. Hindemith compôs prolífica e rapidamente, em parte graças ao seu talento e em parte por necessidade: como violetista tinha uma agenda muito apertada.

A história por trás da génese de Trauermusik é lendária entre os violetistas e ilustra o dom notável do compositor para escrever rapidamente e com uma compreensão pormenorizada e subtil da ocasião. Hindemith tinha prevista a estreia do seu Concerto para Viola Der Schwanendreher com a BBC no Reino Unido para 21 de Janeiro de 1936. No entanto, o Rei George V faleceu na véspera e foi realizado um concerto em sua memória em vez do previsto. O maestro, Adrian Boult, ainda estava determinado a apresentar o talento de Hindemith para compor e interpretar e depois de cerca de seis horas, Hindemith compôs Trauermusik para Viola e Orquestra de Cordas. Continua a ser, muito provavelmente, a elegia mais popular escrita para este instrumento, contendo quatro pequenos andamentos tocados sem paragens. Cada um parece atravessar vários estágios de processamento da morte: dor, nostalgia, raiva e aceitação. A secção conclusiva (i.e., a “aceitação”) utiliza o coral de Bach para o Salmo 100, Vor deinen Thron tret’ ich hiermit.

(Written by Dr. Jacob Adams, UCSB alum and former student of Helen Callus)